O destino: a lenda do fio vermelho | Apaixonei-me pelo meu ídolo – Para Dante Blog
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17 de dezembro às 11:27
O destino: a lenda do fio vermelho

“Um fio invisível conecta os que estão destinados a conhecer-se…

Independentemente do tempo, lugar ou circunstância…

O fio pode esticar ou emaranhar-se,

mas nunca irá partir.”

 

Vocês já ouviram falar na lenda do fio vermelho? Eu escutei falar sobre ela uns meses atrás e decidi trazê-la para que vocês possam conhecer também. Para quem ama fielmente uma pessoa e acredita cegamente no amor, acredite: é a melhor maneira de continuar acreditando que o seu destino pode estar traçado com o seu maior ponto de amor de uma maneira que nem imagina… Vamos lá? Peguem um cafezinho e embarquem nessa história comigo!

Akai Ito significa “Fio Vermelho”, teve origem na China, durante o Período Hokuso. Segundo a lenda chinesa, a divindade a cargo do “fio” do destino, acredita-se ser Yuè Xià Lǎorén (muitas vezes abreviado para “Yuelao”), um antigo deus lunar “casamenteiro”. Ele é representado por um velho, conhecido como o “deus do amor e do casamento”, e aparece somente sob o luar. Dizem que vive na Lua ou no “Yue Ming” (mundo obscuro, equivalente ao “Hades” da mitologia grega). Sendo este, o deus responsável por colocar o fio do destino nos humanos.

A lenda chinesa original diz que quando uma pessoa nasce os deuses amarram um fio vermelho (invisível para os humanos) nos tornozelos dos homens e mulheres que estão predestinados a ser a “alma gêmea” um do outro. A pessoa com quem estamos fadados a passar o resto da nossa vida, não importando a situação.

Acredita-se, que quanto mais longo for o fio, mais longe e tristes as pessoas destinadas estarão e vice versa… (Quanto mais curto for o fio, mais perto e mais felizes as pessoas destinadas estarão). De acordo com a crença, não importa quantos relacionamentos tenhamos, pois só viveremos a “experiência do verdadeiro amor” com a pessoa que estiver na outra ponta do Fio Vermelho.

A lenda, desde então se espalhou por toda a Ásia e, tendo sido incorporada ao folclore destas regiões, sofreu pequenas modificações.

No Japão, onde a lenda tornou-se um mito popular, a linha que conecta as almas gêmeas passou a ser associada ao dedo mindinho. Como a versão chinesa, a história fala sobre um fio invisível que é amarrado no dedo mindinho de duas pessoas que estão destinadas a viverem juntas para sempre. É como uma ligação espiritual que representa o amor eterno.

Ao se espalhar, a lenda se dividiu em diferentes versões, mas as mais conhecidas são a chinesa e a japonesa. Uma das versões mais conhecidas na mesma, encontra-se abaixo:

Debaixo da escura noite, iluminada apenas pela brilhante Lua Cheia, caminhava apressadamente um menino. Enquanto marchava de volta para casa, encontrou um velho sentado embaixo de uma grande árvore admirando o luzente satélite no céu.

— Boa noite rapaz! — Disse-lhe humildemente o velho que, na realidade, era o Deus Xia Lau Yue. O menino nunca antes vira o velho, por isso, continuou o seu caminho sem lhe prestar atenção.

— Sabes! — continuou o velho. — Devias começar a preparar-te para o teu destino. Já não falta muito para te tornares um homem e, como todos os homens, precisa arranjar uma boa esposa.

O menino era ainda muito jovem e não mostrava nenhum interesse em se casar. — Eu nunca vou me casar. — Disse amargamente.

 — Isso só o destino pode dizer… Completou o ancião. — E sabes o que ele diz agora?

Mesmo não estando a gostar muito da conversa, o menino acenou que não com a cabeça. E assim, o velho homem continuou…

 — O destino diz que te casarás com a jovem que estiver do outro lado da corda que amarrei ao teu tornozelo. Pela primeira vez, o menino conseguiu ver a corda vermelha amarrada a sua perna. Estendia-se no chão formando um estreito caminho cor de sangue.

Na outra ponta da corda, estava uma jovem menina sentada à porta da sua casa, observando atentamente o céu na reluzente noite. O menino não queria acreditar no que os seus olhos viam, pegou então uma pedra e atirou-a na garota, pensando que aquilo seria o suficiente para mantê-la longe dele para sempre.

Em seguida, limpou as mãos sujas de terra no calção e correu, correu como nunca antes havia corrido, passando por tortuosos caminhos, deixando completamente emaranhada a corda vermelha que continuava amarrada ao seu tornozelo, mas que por algum motivo, já não conseguia ver.

Passaram-se anos, e o menino de outrora tinha-se transformado num belo homem, cobiçado por muitas mulheres. Ele sabia que tinha de desposar uma daquelas jovens para honrar a sua família, dando-lhe continuidade, mas a verdade, é que nenhuma daquelas mulheres lhe interessava. Na aldeia, diziam que mesmo que procurassem pelo mundo inteiro jamais encontrariam uma dama que lhe agradasse.

Certa noite, o menino, agora já homem, esquecido da conversa que tinha tido com o velho, anos atrás, caminhava novamente debaixo da Lua cheia, pensando que talvez nunca conseguisse encontrar o seu par ideal. Foi então que, passando por uma das casas da região, viu a silhueta de uma linda mulher.

Pela primeira vez, pressentiu que aquela era a mulher com quem queria passar o resto da vida, mesmo que dela ainda nada conhecesse. Essa jovem, por quem tão abruptamente se apaixonara, era conhecida como sendo uma das mais belas donzelas da vila, mas, raramente saia de casa por ter vergonha de uma cicatriz em seu rosto.

Contudo, pelo arranjo de seus pais, os jovens acabaram comprometidos, marcando seu casamento. No tão esperado dia, a jovem não mostrou o rosto, mantendo-o escondido sob o tradicional véu. No entanto, no fim da cerimônia, quando se encontravam sozinhos, o rapaz perguntou-lhe por que motivo ainda seu rosto cobria. 

— Acredite, não vai querê-lo ver. É feio e está marcado por uma horrível cicatriz. — Respondeu. — Quando era pequena, um menino atirou-me uma pedra ao rosto, deixando uma cicatriz sobre a minha sobrancelha.

Aquelas palavras trouxeram-lhe à memória aquela noite. A noite em que tinha falado com o velho, o deus Xia Yue Lau. E com um suave movimento retirou o véu da sua esposa, deparando-se com a mais bela mulher que alguma vez havia visto. Nesse dia, o jovem percebeu que não adianta fugir, pois o destino do Akai Ito será sempre cumprido.

Se você acreditar fielmente no amor que sente, acredite, de uma forma ou de outra ele chegará até você, seu amor será correspondido e você viverá momentos felizes e infinitos em sua vida.

Larissa Santos

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